Quem controla o que vemos? Escola Sem Fake News retoma atividades com debate sobre algoritmos, racismo e tecnologia
- escolasemfakenews
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Projeto da UFSCar em colaboração com UFT e IFAL iniciou programação do segundo semestre com palestra do professor da UFC Júlio Araújo. A proposta é refletir sobre a influência dos algoritmos na circulação de informações e nas desigualdades no ambiente digital.

Carta de divulgação da palestra
Projeto de extensão da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) retomou suas atividades no segundo semestre de 2026 com uma discussão sobre os impactos dessas tecnologias na sociedade. A programação foi retomada com a palestra “Textualidade Algorítmica”, ministrada pelo professor doutor Júlio Araújo, da Universidade Federal do Ceará (UFC), no dia 25 de agosto, às 19h. A transmissão aconteceu pelo canal do projeto no YouTube e pode ser acessada aqui. O projeto Escola Sem Fake News é desenvolvido por meio de uma parceria da UFSCar com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e o Instituto Federal de Alagoas (IFAL).
A atividade inaugura um semestre dedicado à leitura e à discussão do livro Necroalgoritmização: Notas para Definir o Racismo Algorítmico, de autoria de Júlio e publicado pela Mercado de Letras em 2025. A obra será utilizada como ponto de partida para uma reflexão coletiva sobre linguagem, tecnologias digitais, racismo e relações de poder no ambiente virtual.

Júlio Araújo | Foto: Divulgação
A professora do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mariana Peixoto, é a coordenadora geral do projeto. Ela explica que a escolha do livro para as discussões do semestre no grupo se dá pela relevância da produção acadêmica de Júlio Araújo e à atualidade das questões apresentadas pelo pesquisador. Para ela, o debate ganha ainda mais importância diante da proximidade de um novo período eleitoral, quando a circulação de informações e o funcionamento das plataformas digitais voltam a ocupar lugar central nas discussões públicas.
A professora destaca que a proposta parte também da necessidade de questionar uma percepção ainda comum sobre o funcionamento das tecnologias digitais: “Essa pertinência também está relacionada à necessidade de problematizarmos a ideia, ainda bastante difundida, de que as tecnologias digitais e os algoritmos que as constituem seriam meras ferramentas neutras. Ao contrário, devemos problematizar os modos como relações de poder e desigualdades socioeconômicas também operam no ambiente digital”, afirma.

Professora do DL da UFSCar, Mariana Peixoto é coordenadora geral do projeto Escola Sem Fake News
Foto: Divulgação
Para Mariana, a leitura coletiva deve contribuir para que professores e estudantes desenvolvam análises críticas capazes de compreender essas dinâmicas e de refletir sobre seus efeitos no cotidiano. A proposta também tem como objetivo transformar essa reflexão em subsídios para a educação: “A partir desse debate, esperamos construir coletivamente subsídios para melhor prepararmos nossas práticas pedagógicas e contribuirmos para uma formação mais crítica de nossos estudantes, tanto ao abordarmos essas questões em sala de aula quanto em outros espaços educativos”, afirma.
Textualidade Algorítmica
Em um cenário marcado pela presença crescente dos algoritmos nos processos de circulação de conteúdos, a linguagem ocupa o centro da discussão proposta por Araújo. O autor parte da compreensão do algoritmo como texto, considerando tanto sua participação na produção de sentidos quanto os diferentes modos de linguagem que o constituem. “Os algoritmos participam da produção de sentidos: decidem quais conteúdos ganham visibilidade, quais vozes alcançam circulação e quais sujeitos permanecem nas margens. Por isso, defendo que o algoritmo também funciona como texto. Ele interpreta sinais, estabelece associações e produz respostas que interferem concretamente na maneira como pessoas e grupos são representados, reconhecidos e tratados”, defende.
Professor titular do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFC, Júlio Araújo é pesquisador na área de linguagem e tecnologias digitais. Segundo o professor, a noção de textualidade algorítmica toma o texto produzido por pessoas como elemento central da comunicação digital, inserido em um circuito que envolve esse texto, seu processamento pelos sistemas e aquilo que retorna à sociedade. “Esse circuito nunca é neutro. Ele incorpora critérios definidos por empresas, modelos de negócio, bases de dados historicamente marcadas por desigualdades e concepções particulares sobre relevância, segurança, beleza, inteligência ou credibilidade. Relações de poder passam, assim, a operar dentro da própria arquitetura da comunicação”, afirma.

Foto: print de tela da transmissão da palestra.
Para Danillo Silva, professor do IFAL e coordenador pedagógico do Escola Sem Fake News, a presença dos algoritmos no cotidiano impõe novos desafios à educação e à formação docente: “A onipresença de sistemas algorítmicos nas práticas de leitura e escrita na nossa vida cotidiana exige pensarmos nos seus efeitos para além do que elas podem ‘facilitar’. Ler, escrever, compreender e interpretar nos dias atuais já não é a mesma coisa. Por isso, mais do que ensinar a ‘usar’ essas ferramentas, a escola e formação de professores precisam entender o que muda para a educação cidadã e para a formação humana quando nossas práticas de linguagem passam a ser mediadas por ambientes digitais que pertencem a empresas de certa parte do globo.”
Essas questões foram abordadas na palestra de abertura do semestre e também orientarão as discussões do grupo de estudos do projeto. Lembramos que o Ciclo de Palestras é um evento de participação gratuita e aberta ao público. Acompanhe as nossas redes sociais e fique por dentro das próximas atividades!




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